Era mais um dia chuvoso de inverno, ela olhava os pingos d'água saltando no vidro da janela e caindo vagarosamente, como que cansados duma grande batalha. Seu humor era o mesmo, um vazio percorria seu dia, a fatla de alguma coisa que não sabia bem dizer o que percorria sua espinha e desfazia a felicidade.
Sentada no canto, abraçando as pernas, ela só olhava, com a ternura de seu rosto entristecido, parecia até mentira, bela como um anjo e tão distante das miríades celestes, parecia que não era seu lugar, parecia que algo errado se deu na criação do mundo, era uma humanidade falida que não sabe viver ou um povo que não sabe olhar para a riqueza de sua terra. Mas ela continuava ali, calada, intacta, observadora.
Até que algo acertou a janela, ela deu outro olhar, curioso. Correu como uma socorrista numa emergência e abriu a janela. Pegou a borboleta que estava já caida no parapeito, molhada da chuva, trouxe-a nas mãos com uma dó no coração de rachar a face de qualquer criança saltitante. Encostou-a enre as roupas, enxugou as asinhas e já desanimada sentou novamente em seu lugar, pensativa, de olhos fechados.
Ao olhar mais uma vez para a pequena borboletinha, viu ela saltar em vôo e pousar sobre o seu joelho, aquilo era o sinal duma nova amizade, ficou olhando parada, surpresa, a beleza de suas asas, estendeu-lhe o dedo e lá foi a borboleta para aquele lindo dedinho, sorriu, e a borboleta assustou-a quando foi pousar na ponta do nariz, fechou os olhos, ergueu o rosto sorrindo, viva, sorrindo viva, vivamente feliz, e a borboleta passeava pelo seu rosto como uma mão que acaricia um rosto com ternura.
Então sentiu que era o dedo de Deus, que conhecendo sua ternura, nunca permitira sua tristeza.
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3 comentários:
perfeito, perfeito... até me fez sorrir! obrigada, a sua poesia sussurra gargalhadas nos meus ouvidos!
beijo no coração e um abraço bem quentinho
Oia a borboleta fazendo os outros felizes!
Adorei tua prosa em versos.
Devias experimentar mais desse stilo...
;*
amei comentários, BIa e Kel
vou experimentar sim Bia.
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