Segunda-feira, Junho 08, 2009

Boneca de Pano

Deitada na cama, pernas abertas, cabelos espalhados, ela é o grande desejo de Isabele. Seus olhos radiantes permeiam um universo além, sonham com Isabele, com seus carinhos, quando a carrega no braço feliz, sorrindo a boneca de pano fica lá, toda estiradinha no braço esquerdo de Isabele. Ela ama quando Isabele a leva para contar histórias, ela diz assim "oh minha filhinha, eu te amo tanto", então, dá-lhe um beijo e vai dormir. Dormir abraçadinha com sua boneca de pano.

Dona Martha, avó de Isabele, sempre vinha arrumar o quarto nas manhãzinhas, olhava para a boneca de pano com um sorriso dócil e gentil que só as velhinhas tem. Foi ela quem escolheu o nome, ela dizia "hummmmmmmmmm, Larissa, o nome que seria da minha segunda flha", Isabele sorriu, e assim se deu.

Quando dona Martha faleceu, Isabele chorava dia e noite com Larissa, nem comia, Larissa cheia de lágrimas abraçava Isabele com o coração, e as duas ficavam ali paradas, nem comiam. Um dia foram até ver o mar, Larissa toda despojada no colo de Isabele, sorrindo como sempre e com seus olhos brilhantes. Isabele acariciando seus cabelos dizia, "nunca vou te abandonar", chegou até a escrever por dentro das vestes de Larissa, num lugar onde só elas duas sabiam.

Elas iam para o parque, brincavam de casinha, ficavam brigdas com os meninos. Isabele sempre dizia "nem Larissa quer falar com você, não é Larissa?", e sacodia a cabeça dela duas vezes, "tá vendo? ela disse que é". E todos faziam as pazes com Isabele, a maioria das vezes, só para voltar a falar com Larissa.

O primeiro namorado de Isabele era só ciúmes, reclamava dela levar a boneca pra todos os cantos parecendo uma menininha, Isabele terminou com ele. O segundo brigava porque ele deu tantas bonecas e ela só ficava com Larissa, mas teve que se acostumar. Ela também não resistia ao olhar fulminantes de Larissa, e se apaixonara por ela. Eram um triângulo amoroso, Larissa fazia parte de todos os programas da família.

Um dia, a pequena Renata estava mexendo nas coisas da vó, mexendo, mexendo, mexendo, aquela menina apimentada achava coisas e trazia para a vó. Primeiro foi um livro, bem antigo que a vó tinha, da sua infância. Depois trouxe um brinquedo lindo, que acendia as luzes, sua vó disse, "foi da sua mãe", na terceira vez ela veio correnodo e gritando.

- Vóvó, vovó, vó Clara, dá pra mim.

Quando sua vó olhou, percebeu uma pequena boneca que sua neta trazia nas mãos, brilhantes como nenhum brinquedo moderno jamais seria, um pouco empoeirada. Tirou a poeira do seu rosto e viu um sorriso mágico surgir, o que lhe trouxe mais uma lágrima:

- Oh minha netinha, essa é Larissa, o tesouro mais precioso que minha mãe já esteve no mundo - olha para o alto e enxuga as lágrimas - Larissa é um amor inseparável na vida da nossa família. Que Deus um dia lhe dê vida para que possa encantar os homens.

E Larissa sorriu, como sempre sorri delicadamente.

1 comentários:

Larissa disse...

Tudo bem..
Seja feita sua vontade não resistirei aos elogios da boneca!